#2: VELOCIDADE DE APLICAÇÃO E QUALIDADE DE COBERTURA DO ALVO

Segundo Camargo et al. (2019), o sucesso da aplicação depende do depósito das gotas no alvo desejado enquanto redução do custo e aumento do rendimento operacional determinam as estratégias no campo. Portanto, o rendimento operacional aumenta conforme a velocidade de deslocamento aumenta e fatores como pressão de trabalho, vazão e tamanho do orifício do bico de pulverização devem acompanhar proporcionalmente tais mudanças, satisfazendo a qualidade e adequando a tecnologia de aplicação de acordo com as condições requeridas (WEBER et al., 2017).

Devido aos fatores ambientais, energéticos, econômicos e operacionais, os volumes de aplicação tendem a ser cada vez menores. Tal comportamento está diretamente ligado ao custo e disponibilidade de transporte de água para o campo, perdas de tempo com abastecimentos e deslocamento (BALAN et al., 2008). Contudo, quanto maior a taxa de aplicação melhor será a porcentagem de cobertura da área do alvo aplicado (ROMAN et al., 2009) e maior a tendência de penetração de gotas no dossel da cultura.

O controle de pragas e doenças utilizando produtos químicos tem sido utilizado em larga escala na agricultura (CZEPAK et al., 2013), porém pouca atenção é dada à tecnologia de aplicação durante a execução da atividade. Insetos que eram considerados pragas secundárias e, até mesmo, não existentes, tornaram-se responsáveis por grandes danos nas culturas. Por exemplo, é possível mencionar o aparecimento de Heliothis virescens, Helicoverpa zea e Helicoverpa armigera como pragas de grande importância na cultura da soja, especialmente nas safras 11-22 e 12-13 (AVILA; VIVAN; TOMQUELSKI, 2013). Dessa maneira, Camargo et al. (2019) realizou a avaliação da aplicação de inseticida variando a velocidade de deslocamento entre 5 a 16 Km/h e volumes de aplicação entre 108 a 110 e 199 a 216 L/ha para quantificar a diferença na porcentagem de cobertura no alvo aplicado e, também, para verificar a influência desses fatores na eficiência de controle das lagartas Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens.

Concluiu-se que o aumento dos volumes de aplicação de 108 para 110 e 199 a 216 L/ha não resultou em aumento considerável da cobertura dos terços superior, médio e inferior. No que diz respeito à velocidade de deslocamento, a redução de 16 para 5 Km/h promoveu aumento significante na cobertura dos terços superiores e médios, independente do volume de aplicação adotado. Para parâmetros de eficácia, a maior cobertura foliar do inseticida Indoxacarb (15% EC) (Avatar®) observado no terço superior do dossel resultou em menor dano foliar independente da tecnologia e aplicação adotada. Para o terço médio e inferior, a redução na velocidade de deslocamento teve maior influência na redução do dano foliar quando comparado ao aumento de volume de aplicação.

Adaptado e traduzido de: INSECTICIDE APPLICATION SPEED IN THE CONTROL OF LEPIDOPTERAN PESTS IN SOYBEAN (LENIO CESAR MORAES DE CAMARGO, DANILO DE BRITO GARCIA, OTÁVIO JORGE GRÍGOLI ABI SAAB , AMARILDO PASINI, DANILO AUGUSTO SARTI, CARLOS TADEU DOS SANTOS DIAS - https://www.scielo.br/pdf/rcaat/v33n1/1983-2125-rcaat-33-01-0072.pdf).

#1: SUBSTITUIÇÃO DE BICOS. CUSTO OU INVESTIMENTO?

A substituição de bicos de pulverização deve ser encarada como estratégia de economia pelo produtor rural, pois ao longo de uma safra o produtor pode economizar cerca de 120 sacas de soja em produto fitossanitário se realizar a substituição no início da safra. Além de economia, a repetibilidade da vazão nominal distribui a calda fitossanitária de forma uniforme ao longo de toda barra, proporcionando maior chance de acerto/controle do alvo, assim como dosagem correta de produto.

Neste sentido, realizamos a aferição do desgaste de 72 bicos cônicos 8002 em uma barra de 36 m de comprimento em uma unidade de produção de grande grupo produtor de soja e algodão localizada em Primavera do Leste (Figura 1).

Figura 1 - Aferição de bicos de pulverização (Fonte: trabalho próprio)

A vazão média encontrada ao longo da barra foi de 0,818 L/min (vazão nominal de 0,800 L/min a 3 bar) com um CV médio de 13%, considerado regular segundo WEISS, 1986. Vinte e quatro bicos da barra (33%) apresentavam 10% de desgaste acima do recomendado por fabricantes de pontas que sugerem a substituição de todo o conjunto quando encontrarmos 10% de bicos que apresentem 10% de desgaste acima da vazão nominal, representando em torno de R$ 31.428 de desperdício ou 249 sacas de soja.